quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Poema do berrante da mata assombrada

Quero que prestem atenção, amigos e companheiros. Já toquei muito boi na estrada, fui peão de boiadeiro. Um dia eu sai de casa com muita pressa de voltar, reuni meus companheiros pra uma boiada nos levar. Na hora da partida o que mais doía meu coração, e que eu deixava esposa e filho na mais triste judiação. Pra nos faltava o leite, o arroz e o feijão. Reuni meus companheiros fomos levando a boiada  Atravessei serras e montanhas, passei por estradas estranhas, vi a noite enluarada. Quando chegamos com a boiada o fazendeiro nos encontrou, sentado no mourão da porteira toda boiada ele contou. Deu os parabéns aos boiadeiros pegando nosso dinheiro no momento nos pagou. Eu peguei todo o dinheiro reuni meus companheiros que viajou com a boiada, muito alegre e feliz porque pra casa nos voltava. Alegre porque eu tirava minha família daquela triste situação, pra eles eu vinha trazendo o leite, o arroz e o feijão. Chegando perto de casa deixei a companheirada, montado na minha mula "Rhuana" eu conduzia a comitiva ate a porteira da minha casa. O dia já ia se escondendo numa curva da estrada, encontrei com um cidadão que me pediu pra parar. "Amigo empreste o isqueiro to com vontade de fumar", levei a mão na guaca pra meu isqueiro tirar, senti um punhal de dois corte no meu peito penetrar. Aquele cidadão não passava de um ladrão e que queria me roubar. Ali ele tirou a minha vida sem nenhuma explicação, meu corpo foi arrastado jogado dentro da mata junto com meu berrante fiquei morto ali no chão. Eu fui na porta do céu pra ve se eu conseguia entrar, falei com Jesus Cristo ele me disse assim: “Aqui meu filho você não entra não, aqui não entra o ódio aqui não entra a maldição. Você não consegue perdoar aquele que arrancou a sua vida com um punhal na mão" Voltei pra mata fechada, naquela curva da estrada. Quando dava meia noite a coruja triste cantava, eu repicava meu berrante relembrando os companheiros os tempos do boi na estrada que eu fui peão de boiadeiro. O tempo foi se passando e a mata ficou afamada Quando dava meia noite em ponto o berrante triste tocava, a mata ficou assombrada por aqui ninguém mais passava. mas eu tocava meu berrante não era pra assombrar ninguém, era pra lembrar dos companheiros dos tempos de boiadeiro que eu tanto queria bem. O tempo foi se passando e eu consegui perdoar aquele que arrancou a minha vida com suas próprias mãos. Voltei pra porta do céu e pra Deus eu pedi perdão, ele me disse assim: “Meu filho... você ainda não pode entrar não, ainda existe alguém lá na terra que lhe joga maldição”. E sua esposa querida que quando seus filho pergunta:  "Mamãe cadê o papai?" Pra eles ela responde:  "Arrumou outra família e de nos não se lembra mais". Voltei pra mata fechada. Quando dava meia noite a coruja triste cantava, eu repicava meu berrante relembrando os companheiros os tempos do boi na estrada que eu fui peão de boiadeiro. O tempo foi se passando, meu filho ficou doente e necessitava de um doutor. Minha esposa trazia meu filho numa charrete num cavalo troteador. Deu meia noite em ponto em frente da mata ela ia passando, ouviu aquele berrante triste naquele momento tocando. Ela parou a charrete e pro meu filho ela falou: “Meu filho esse toque de berrante da minha memória não sai. Será que esta dentro da mata, esse toque de berrante meu filho, e o berrante do seu pai". Acendeu um farolete e na mata ela entrou, não muito distante debaixo de uma figueira um corpo ela encontrou. A carne já estava apodrecida e a terra carregou. Um esqueleto estava no chão e tinha na minha mão uma aliança de ouro herança do nosso amor. O berrante ali ao lado estava todo rachado lembrança do meu avo. Ela caiu de joelho ao chão e pra Deus ela pediu perdão e a mim ela perdoou. Agora eu vou pra junto de Deus e dos meus queridos pais. E o berrante da mata assombrada, ninguém vai ouvir nunca mais.

(Autor desconhecido)

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